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A IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE ARQUIVO NA
QUALIDADE DAS INFORMAÇÕES EMPRESARIAIS
.
Autor: Antonio Carlos Flores
1
RESUMO
Evidenciar a importância do sistema de arquivo para a qualificação no
tratamento das informações empresariais contidas nos mais diversos suportes
é a finalidade deste artigo. A avalanche de informações disponibilizadas, com
as novas tecnologias da informação
, interfere diretamente no planejamento
estratégico das empresas, que precisaram reavaliar e repensar os mecanismos
para tratar e qualificar o volume de informações cada vez maior. Novos
valores foram atribuídos às variáveis externas e à manutenção, sucesso e
sobrevivência destas empresas neste mercado exigente, competitivo e
globalizado, o qual ficou cada vez mais dependente da velocidade das ações
empresariais que, por sua vez, precisam ser subsidiadas de informações
precisas e atualizadas. Apresenta-se neste artigo o sistema de arquivo e as
funções arquivísticas que propiciarão a identificação, seleção, guarda,
disponibilidade ou eliminação das informações empresariais, de utilização
corrente , intermediária e permanente. As ações empresariais, os tipos de
política de informação, a gestão de documentos e as funções arquivísticas
serão abordados com ênfase na importância de sua utilização para qualificação
do gerenciamento das informações externas e internas para as diversas áreas
empresariais.
Palavras-chave
: empresas; informações; sistemas de arquivo
1
Especialista em Controladoria pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/RS)
(
cavacos@adm.ufsm.br)
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ABSTRACT
To evidence the importance of the system of archive for the qualification
in the treatment of the contained enterprise information in the most diverse
supports is the purpose of this article. The amount of avaiable information, with
the new information technologies inferred directly in the strategical planning of
the companies whom they had needed to reevaluate and to rethink the
mechanisms to treat and to characterize the volume of information each bigger
time. New values had been attributed the external variable, and the
maintenance, success and survival of these companies in this demanding
market, competitive and globalized dependent of the speed of the enterprise
actions was each time more that, in turn, they need to be subsidized of
necessary and brought up to date information. The archive system is
presented in this article, and the archivistical functions that will propitiate the
identification, election, keeps, availability or elimination of the enterprise
information, of current use, intermediate and permanent. The enterprise
actions, the types of information politics, the archivistical document
management and functions will be boarded with emphasis in the importance
of its use for qualification of the management of the external and internal
information for the diverse enterprise areas.
Key Words
: companies – information - System of Archives
INTRODUÇÃO
O artigo que segue faz uma abordagem da importância do sistema de
arquivo na qualidade das informações empresariais.
O planejamento e qualificação no tratamento dessas informações
precisou ser repensado e redirecionado em termos estratégicos em todas as
ações empresariais, por ser um recurso que implica diretamente na
sobrevivência e no sucesso das organizações.
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Os avanços tecnológicos e a informática revolucionaram e agilizaram os
mecanismos de armazenamento, resgate e disponibilidade das informações,
porém o volume informacional aumentou dramaticamente, os suportes
convencionais de papel cederam lugar aos disquetes, discos ópticos, discos
laser, cds, cd-rom, infovias da web e outros tantos para todas as áreas do
conhecimento e, principalmente, para as ações empresariais.
Neste sentido apresenta-se o sistema de arquivos e a gestão
informacional integrada, que permitem, através da aplicação das suas funções,
a racionalização e qualificação do volume informacional de toda e qualquer
empresa, seja ela de pequeno, médio ou grande porte.
O diferencial para o tratamento das informações acontece através de
instrumentos arquivísticos, os quais viabilizam a identificação, classificação,
armazenamento ou descarte de informações inúteis de todos os suportes
documentais.
A gestão de documentos integrada e um sistema de arquivos atuante
vão inferir positivamente em todas as ações empresariais e ainda reduzirão
custos com armazenamentos desnecessários, possibilitando agilidade e
eficácia no resgate das informações necessárias, garantindo, assim, respostas
rápidas, serviços eficientes e desburocratização dos processos.
1. INFORMAÇÃO
A palavra informação tem sido utilizada nos mais diversos sentidos.
Fala-se da sua emergência, importância e gestão. Discute-se sobre as
sociedades da informação, a revolução da informação, a era da informação,
etc...
Existem vários títulos pomposos referentes a esse assunto, porém em
vários deles a discussão acadêmica do problema passa ao longe e as
idéias são expostas sem qualquer rigor ou compromisso com o saber
acumulado.A palavra informação provém do latim
informatione e significa o ato
ou efeito de informar-se, conhecimento, participação e ainda comunicação ou
notícia trazida ao conhecimento de uma pessoa ou do público.
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O avanço tecnológico das duas últimas décadas levou a
informática para os mais diversos ambientes de trabalho. Assim,
monitores, CPU, teclados a internet e as infovias da
web são consideradas
ferramentas indispensáveis principalmente na divulgação, no armazenamento
e no resgate das informações.
Para executar as tarefas das mais diversas áreas é necessário saber
operar equipamentos informáticos e manejar sistemas operacionais,
processadores de texto planilhas eletrônicas e programas.
Todavia não está claro, para muitos, que a informática lida com
informações, em sua maioria, com características arquivísticas, porque os
computadores apenas sistematizam os dados que foram inseridos em sua
memória.
Lopes (1995) observa que a informação nasce no cérebro, a partir da
captação exterior dos sentidos e é expressa ou registrada pelas faculdades
mentais e motoras dos homens, com ou sem ajuda de ferramentas, objetos ou
máquinas.
A informação é um processo que visa o conhecimento, ou seja, pode-se
dizer empiricamente que informação é tudo que reduz a incerteza.
Oliveira (1997, p.34) apresenta, em seu livro Sistema de Informações
Gerenciais, a seguinte definição: “ Informação é o dado trabalhado que permite
ao executivo tomar decisões. Sendo que dado é qualquer elemento identificado
em sua forma bruta que por si só não conduz a uma compreensão de
determinado fato ou situação”.
No contexto empresarial, o gerenciamento das informações torna-se
prioritário no processo de gestão, devido à quantidade e à velocidade de
informações, ao ambiente de competitividade, às mudanças econômicas
mundiais e ao cenário caracterizado pela era do conhecimento. O volume
massificado de informações precisa ser transformado em informação com
significado para os diversos níveis das organizações.
Neste sentido, mais do que planejar a utilização das informações
internamente , as empresas devem direcionar tecnologias da informação em
termos estratégicos por ser um recurso que implica diretamente na
sobrevivência da organização.
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A competição entre os fornecedores de produtos e serviços ocorre
também na qualidade, confiabilidade e responsabilidade no gerenciamento
destas informações.
Operacionalmente, destacam-se três pontos básicos a um
gerenciamento administrativo eficaz: respostas rápidas, serviços eficientes e
desburocratização dos processos.
Para que os pontos supra-citados sejam alcançados é preciso que
estejam sob o alicerce de dados e números eficientes para tomadas de decisão
de cunho empresarial.
Os novos suportes informacionais, as novas tecnologias revolucionaram
o meio empresarial e acarretaram transformações no processo de produção,
difusão, captação e interpretação das informações, inferindo mudanças
culturais e comportamentais nas pessoas que produzem e utilizam estas
informações.
2. INFORMAÇÃO EMPRESARIAL
O diferencial competitivo das empresas, em um mercado cada vez mais
exigente e globalizado, ocorre com a otimização e eficácia dos recursos
disponíveis para a captação, gerenciamento e qualificação do volume
informacional existente.
As informações, tanto externas quanto internas, precisam estar
disponibilizadas no exato momento em que qualquer membro da empresa
necessitar utilizá-las.
Operacionalmente, pode-se salientar três aspectos considerados
básicos para um gerenciamento administrativo dinâmico: respostas rápidas,
serviços eficientes e desburocratização dos processos. Todos esses, claro, sob
o alicerce de dados e números confiáveis e eficazes para que as tomadas de
decisões empresarias sejam mais proveitosas para a organização como um
todo.
As informações empresariais são de vários tipos, desde o simples
processamento da folha de pagamento até a compilação de dados que
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transformarão os movimentos do mercado financeiro em informações
estratégicas sobre a venda ou compra de ações pela empresa.
O processo de produção, difusão, captação e interpretação da
informação está sofrendo uma transformação profunda, tanto nas formas
quanto nos conteúdos dos sistemas de gestão e administração do
conhecimento no interior das empresas. Com isso, são provocadas mudanças
comportamentais e culturais nas pessoas que produzem e utilizam essas
informações nas organizações.
3. POLÍTICA DE INFORMAÇÃO
A informação é influenciada a cada minuto pelo poder, pela economia e
pela política de informação adotada pelas empresas.
Muitos estudos indicam que a política é o fator de fracasso dos projetos
de desenvolvimento de sistemas informacionais, entretanto, serão
apresentados a seguir quatro modelos de políticas, os quais, se utilizados
corretamente, podem viabilizar o sucesso do sistema. São eles:
a) Federalista
Modelo central fraco, com alto nível de autonomia local, em que poucos
elementos precisam ser definidos e administrados centralmente, enquanto que
o restante pode ser administrado pelas unidades locais.
O federalismo demanda negociação racional entre os grupos centrais e
os dispersos, modelo adequado para atividades amplas e diversas. Ele
reconhece o universalismo informacional - um termo tem o mesmo significado
em toda a organização - e o particularismo informal- no qual uma pequena
unidade pode definir “ cliente “ da maneira que melhor lhe aprouver.
b) Feudalismo
Unidades com diferentes produtos, diferentes clientes, diferentes
medidas de desempenho e formato para quase todas as informações
relevantes.
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Não é saudável devido à concentração nos objetivos informacionais das
unidades, sem considerar as questões mais amplas do negócio. Com a
utilização desse modelo, as empresas não são capazes de operar integradas,
em processos integrados (vendas cruzadas ou compartilhar componentes em
produtos diferentes), entretanto, para Thomas Davenport, é a política mais
adequada, sendo utilizada por diversas empresas.
c) Monarquia
Utilizada em pequenas empresas, nas quais um indivíduo controla a
maior parte das informações. Ele define quais os dados são importantes,
estabelece segmentos chaves e até procura controlar como a informação é
interpretada.
d) Anarquia
Este modelo raramente é escolhido por uma organização de forma
consciente. A política anarquista foi viabilizada com a introdução dos
computadores pessoais, em que cada indivíduo pode administrar seu próprio
banco de dados e moldar as informações de acordo com suas próprias
necessidades, no momento que desejarem, com um custo mínimo.
Tal modelo é considerado bom pelo aspecto que os usuários estão
sempre atualizados com os novos sistemas de tecnologias de informação e
nele a informação é bastante valorizada.
4. AS AÇÕES EMPRESARIAIS
O cenário empresarial como um todo tem ações cada vez mais velozes.
As mudanças e atualizações são uma constante em todos os ramos de
negócios. A manutenção, a sustentabilidade das empresas e, também, as
falências e concordatas são decorrentes de tomadas de decisões incorretas,
baseadas em informações inúteis, ou na falta de informações que poderiam ter
subsidiados os passos corretos.
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Destacam-se, neste universo cada vez mais globalizado, as relações
sociais corporativas, que envolvem atitudes e posturas modernas, as quais
juntas objetivam garantir a manutenção das empresas e organizações em um
mercado cada vez mais exigente e competitivo.
A amplitude da área de atuação foi uma das mudanças cruciais, pois, a
partir de tal mudança, os gestores e administradores abandonaram a visão
minimalista interna e passaram a observar e interagir com a comunidade
externa e meio ambiente, redimensionado e atribuindo novos graus de valores
às variáveis externas.
Este novo enfoque trouxe muitas alterações na atuação dos gestores e
administradores. As novas ações demandam caráter preventivo, promovem a
preservação ambiental, permitem participação nos resultados, mantêm valores
éticos, legais, sociais e culturais, que propiciarão resultados positivos e
destaque na forma de reconhecimento. As empresas que estão engajadas
dentro desse contexto terão facilitado o acesso ao capital, menor intervenção
governamental, maior interesse dos consumidores, aumento de vendas, maior
pressão dos investidores e mais transparência.
A questão financeira, que é parte integrante de toda e qualquer
empresa, precisa embasamento informacional confiável e qualificado.
O fluxo de caixa, a liquidez, o risco, e o lucro são variáveis interligadas.
O lucro e o risco são diretamente proporcionais, enquanto que a liquidez é
inversamente proporcional ao risco e as chances das empresas se manterem
no mercado, a longo prazo, tendem a diminuir quando as taxas de lucros são
elevadas.
Outra ação empresarial presente no cenário econômico mundial, que
vem crescendo muito em nosso país, são as Bolsas de Valores, que, com a
reforma financeira e alteração no mercado de capitais implementadas nos anos
de 1965 e 1966 foram transformadas em associações civis sem fins lucrativos,
proporcionando uma nova característica institucional com autonomia
administrativa, financeira e patrimonial.
Dentre os objetivos das bolsas de valores, os quais têm suas políticas
definidas pelo Conselho Monetário Nacional, identificam-se a obrigatoriedade
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de registro e a divulgação das operações efetuadas nos pregões, atividades
estas subsidiadas nas informações precisas das ações realizadas.
As avaliações dos investidores, tanto a fundamentalista como a técnica,
sustentam suas teorias em informações econômicas, políticas administrativas
contidas em gráficos representativos das ocorrências do mercado. Relatórios
detalhados de todas as áreas, planos de investimentos a curto, médio e longo
prazo que poderão inferir nos seus indicadores tanto para compra ou venda de
ações.
A definição do momento oportuno para os investidores e o maior índice
de acerto ocorrerão quanto maior for a quantidade, qualidade e confiabilidade
das informações adquiridas e disponíveis. Para saber qual caminho a seguir,
qual a prática a ser adotada os administradores e gestores devem estar atentos
ao mercado. Para tanto, o conhecimento da área é indispensável, mas não é
suficiente, pois eles precisam de informações atualizadas e organizadas.
Pode se observar que todos os empreendimentos e ações produzem e
também são baseados em informações que armazenamos de maneira
tradicional, científica ou empírica.
Um gerenciamento ideal das informações (externas e internas) irá refletir
positivamente em todos os níveis da organização.
O gerenciamento ideal pode ser obtido com a gestão de documentos,
que implica em dispensarmos tratamento aos documentos desde sua produção
até sua destinação final. Com o programa de gestão de documentos, a
organização ou empresa poderá controlar a qualidade e quantidade de
documentação que produz, recebe e armazena, mantendo a informação de
forma útil às suas necessidades.
5. TERMOS ARQUIVÍSTICOS
Com a finalidade de propiciar um melhor entendimento do conteúdo
específico das atividades e tarefas arquivísticas que serão abordadas neste
artigo, verifica-se a necessidade de conceituar os termos técnicos que
seguem:
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Arquivo: Conjunto de documentos, que, independentemente da
natureza do suporte, são reunidos por processo de acumulação ao longo das
atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas e
conservados em decorrência de seu valor.
Arquivo corrente: Conjunto de documentos estreitamente vinculados
aos fins imediatos para os quais foram produzidos ou recebidos e que, mesmo
cessada sua tramitação, conservam-se junto aos órgãos produtores ou
receptores em razão da freqüência com que são consultados.
Arquivo Intermediário: Conjunto de documentos originários dos
arquivos correntes, com uso pouco freqüente, que aguardam destinação final
em depósitos físicos ou informáticos de armazenamento temporário.
Arquivo Permanente: Conjunto de documentos preservados em caráter
definitivo, em função do seu valor.
Descrição: Conjunto de procedimentos, que, levando em conta os
elementos formais e de conteúdo dos documentos, possibilitam a elaboração
de elementos de pesquisa das informações neles contidas.
Destinação: Conjunto de operações que, após a avaliação, determinam
o encaminhamento dos documentos à guarda temporária ou permanente e/ou
eliminação.
Documento: Toda e qualquer unidade constituída de informação e seu
suporte.
Eliminação
: Destruição de documentos e informações que, no processo
de avaliação, e de acordo com o prazo estabelecido na tabela de
temporalidade foram considerados sem valor para guarda intermediária ou
permanente.
Recolhimento: Passagem de documentos do arquivo intermediária para
o arquivo permanente.
Série Documental: Seqüência de unidades de um mesmo tipo
documental.
Suporte: Todo e qualquer material sobre o qual as informações são
registradas (papel, disquetes, discos ópticos, fitas de vídeo, microfilmes)
Tipo Documental: Configuração que assume uma espécie
documental de acordo com a atividade que a gerou.
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Transferência: Passagem de documentos do arquivo corrente para o
arquivo intermediário.
6. GESTÃO DE DOCUMENTOS
Gestão de documentos implica em dispensar tratamento às
informações contidas em todos os tipos documentais, desde a sua produção
até a sua destinação final.
Um programa de gestão documental viabiliza às empresas e
organizações o controle da qualidade e quantidade da documentação que
produzem e recebem, garantindo o acesso a essas informação de forma
rápida e de acordo com as necessidades de cada usuário.
Garcia (2000, p.56) observa que:
“O aspecto mais importante da gestão de
documentos é a sua utilização como fonte de
informação. As informações só serão úteis se
fizerem parte de um programa centrado na
missão da organização e integrado Numa política
de gestão de informação. Para tanto é
fundamental o planejamento da gestão da
informação que necessariamente implica na gestão
dos documentos de conteúdo informacional .
Assim, a gestão de informações
integrada num conjunto organizado e estruturado é
fundamental para que possam ser acessadas,
tornando-se úteis aos responsáveis pelas decisões
gerenciais. “
Um programa de gestão de documentos, para ser implementado com
êxito, necessita de três ferramentas básicas: o inventário das séries e
documentos, o plano de classificação e a tabela de temporalidade.
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7. SISTEMAS DE ARQUIVO
Para definir sistema de arquivos, o Dicionário de Terminologia
Arquivística (1996) traz um conceito bastante objetivo, sucinto e abrangente
que diz:
“Conjunto de arquivos de uma mesma esfera
governamental ou de uma mesma entidade pública
ou privada, que independentemente da posição
que ocupam nas respectivas estruturas
administrativas, funcionam de modo integrado e
articulado na consecução de objetivos técnicos
comuns.”
Um sistema de arquivos integrado possibilita a recuperação rápida e
eficaz das informações. O sistema de arquivos deverá ser formado pelo
arquivo central e os demais arquivos setoriais, os quais, por sua vez,
deverão estar subordinados a ele técnica e hierarquicamente.
No universo empresarial, o sistema de arquivos deverá suprir os dirigentes e
administradores de todas as informações necessárias ao processo de análise
e tomada de decisões, bem como racionalizar a produção de documentos e
evitar o armazenamento de informações inúteis.
a) Inventário das séries e tipos documentais:
O inventário das séries e documentos é um instrumento no qual se
descreve cada uma das séries e indica-se sua localização.
Quando é criado no meio informático, é de extrema utilidade para o
controle da gestão informacional, contendo dados relativos ao acesso e à
informação, à proteção dos dados e à conservação dos mesmos.
Integrado com o plano de classificação e com a tabela de
temporalidade, permite a automatização das transferências de documentos
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aos arquivos intermediário, a identificação dos documentos que devem ser
eliminados, bem como o recolhimento daqueles documentos que precisam ser
preservados nos arquivos permanentes.
b) Classificação dos documentos
Atividade profunda e intelectual. Associada à idéia de separar,
estabelece a relação entre os documentos, supõe o estabelecimento de
classes ou séries, nas quais os documentos passam a ser englobados.
Para Lopes (1996, p.89), sob a perspectiva da arquivística integrada,
“defende-se a classificação das informações desde o momento em que são
concebidas e materializadas na forma de documentos até o seu destino final.”
Neste sentido, cabe ressaltar que a localização das informações e
documentos depende de sua organização, e esta está intimamente
relacionada à classificação ulterior que lhes foram atribuídas.
Schellenberg (1974), define os elementos da classificação da seguinte
forma : quanto à função que identifica a ação a que se referem os documentos,
quanto à estrutura orgânica que diz respeito aos órgãos produtores dos
documentos e quanto ao assunto concreto ou tema dos documentos.
Os documentos nascem do cumprimento dos objetivos para os quais
um órgão ou empresa foram criados, sejam eles administrativos, fiscais, legais
e executivos. Esses documentos classificam-se na categoria de documentos
de valores primários, enquanto não cumprirem as finalidades administrativas
para as quais foram criados.
Os valores secundários são atribuídos quando o interesse é para
outras entidades ou pessoas que não os utilizadores iniciais. Tais valores
secundários são determinados pela prova que o documento contém da
organização e do órgão produtor e das possíveis informações que possam
conter sobre pessoas, entidades, coisas, problemas...Sua preservação
ocorrerá apenas com a finalidade probatória e/ou informativas, pois suas
funções administrativas já foram cumpridas.
c) Documentos de Caráter Corrente
Conjunto de documentos estreitamente vinculado aos fins para os quais
foram produzidos ou recebidos e que, mesmo cessada sua tramitação,
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conservam-se junto aos órgãos em razão da freqüência com que são
consultados.
A eficiência da administração dos documentos de caráter corrente está
condicionada a três grandes fatores:
- características dos documentos modernos;
- atividades inerentes ao próprio trabalho de organização e
administração dos arquivos correntes;
- tipo de órgão que deve executar esse trabalho.
Os documentos são eficientemente administrados quando, uma vez
necessária sua utilização, a localização é rápida, sem transtorno ou confusão,
quando conservados a um custo mínimo de espaço e manutenção e
quando nenhum documento é preservado pelo tempo maior que o necessário.
A preservação desnecessária é um dos fatores mais prejudiciais a
gestores e administradores de informações. Não obstante o fator financeiro, o
acúmulo de documentos insignificantes faz com que documentos de real
importância fiquem ali submersos. É comum, nas empresas e organizações
que não realizam um tratamento informacional adequado, acontecer a
segregação após a perda de documentos de valores para as operações
correntes.
Os objetivos, para uma gestão eficaz de documentos de caráter
corrente, só podem ser alcançados se houver atenção aos documentos da
sua produção ou recebimento até o momento da transferência para um
arquivo de custódia permanente ou eliminação.
d) Documentos de caráter intermediário
Os documentos de caráter intermediário são aqueles cuja a freqüência
de utilização é pouca, mas, de alguma forma, podem ser solicitados, isto é, os
casos a que se referem não estão totalmente encerrados, podem ainda ganhar
novas informações, serem reativados e reutilizados para reiterar ou revisar
as tomadas de decisões atuais.
“O arquivamento intermediário é um serviço de
apoio administrativo e seu objetivo principal
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consiste em aliviar os arquivos setoriais
recebendo documentação consultada com pouca
freqüência mas cuja conservação, por um tempo
pré-estabelecido, esteja justificada por algum
motivo após cuidadosa
avaliação. Servem ainda, de depósito provisório
para a guarda de documentos de administrações
extintas ou de órgãos cujas atividades venham a
cessar após um certo tempo, como por exemplo os
serviços e circunstâncias de emergência, guerras,
crises, etc.” (Esposel, 1994, p. 227).
A fase intermediária da documentação responde à mesma lógica da
fase corrente, pois guarda a possibilidade administrativa ou legal de
aproveitamento.
e) Documentos de Caráter Permanente
Os documentos de caráter permanente precisam ser preservados
definitivamente devido ao seu valor. Após cumprirem suas funções
administrativas, sua guarda e consulta é fundamentada nas demandas
históricas e culturais.
Terá valor histórico informativo e, portanto, caráter permanente todo e
qualquer documento que revelar aspectos importantes da entidade quanto à
sua origem, organização, administração e atividades.
Nesse contexto, os documentos que possam elucidar aspectos
econômicos, políticos, de pesquisa, sociais e estatísticos.
Os estudiosos canadenses Rosseau e Coture (1998) enfatizam que
não se pode perder de vista os valores primários (administrativos) e
secundários (informações históricas) como balizas confiáveis para aplicação
da teoria das três idades dos documentos(ativos, semi-ativos, e definitivos).
Os mesmos estudiosos acima mencionados revelaram grande
conhecimento e experiência no assunto, demonstrando que a linha que separa
os documentos é muito tênue e de difícil demarcação. Para eles, o ciclo de
vida dos documentos é definido pela freqüência e tipo de utilização dados aos
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documentos, fazendo parte do que Rosseau e Couture chamam de arquivística
contemporânea.
8. AVALIAÇÃO DOCUMENTAL
A avaliação dos documentos não pode ser realizada de maneira
empírica, defende-se que a avaliação deve estar integrada à classificação dos
documentos é mister neste processo a realização de pesquisa.
Para Inojosa (1991), a avaliação de documentos é uma parte das
competências do gerenciamento de documentos dos arquivos correntes e
pode ser o caminho da sua própria organização.
Nas empresas e organizações, devem ser observados e analisados
todos os setores e as atividades e tarefas realizadas em cada um deles. Só
assim, será possível determinar os documentos gerados e/ou utilizados em
cada atividade desenvolvida.
O estudo e a pesquisa das organizações e empresas são necessários
no processo de avaliação documental, pois tornarão mais fácil a identificação
dos documentos produzidos para competência legal ou real de cada uma
delas, bem como serão importantes na determinação dos prazos de guarda
dos documentos administrativos, legais e fiscais.
9. TEMPORALIDADE DOCUMENTAL
O sistema de arquivo integrado e dinâmico contará com um instrumento
básico de destinação de documentos denominado Tabela de Temporalidade,
que será elaborada após o processo de avaliação documental e deverá ser
aprovada no mais alto escalão das empresas para que sejam cumpridas na
íntegra suas determinações.
A Tabela de Temporalidade dos documentos determinará os prazos
prescricionais e orientará a eliminação ou guarda permanente dos
documentos.
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Os resultados decorrentes da aplicação da Tabela de Temporalidade,
no âmbito das organizações e empresas, são muito positivos e, de acordo com
a Norma Técnica ABNT-NBR 10519/1988, deverão ser alcançados:
- facilidade para distinguir os documentos de armazenamento
temporário dos de guarda permanente;
- eliminação imediata da documentação cuja a guarda não se justifique
como, por exemplo, as cópias, desde que não sejam as mesmas únicos
exemplares no órgão;
- racionalização, principalmente em termos econômicos, das atividades
de transferência e recolhimento;
CONCLUSÃO
A qualificação das informações, tanto internas quanto externas, passou
a ser fator preponderante para as ações empresariais de todos os níveis.
Verifica-se que os avanços tecnológicos e as novas tecnologias de informação
das últimas décadas aumentaram drasticamente a quantidade de informações
alterando os métodos de guarda, busca, resgate e armazenamento.
Neste sentido, destacam-se o sistema de arquivo e a gestão integrada
de informações, por serem instrumentos específicos e que permitem um
direcionamento no tratamento de informações que podem ser utilizados em
toda e qualquer empresa.
O sistema de arquivos e suas funções podem ser aplicados para todos
os tipos documentais, tanto os de suportes convencionais como os
informáticos e eletrônicos. Esta é a diferença básica entre o sistema de
arquivos e os programas e
softwares já fabricados e disponíveis para a venda,
pois, por mais modernos que sejam, não irão abarcar todos os tipos de
documentos específicos de cada empresa.
Antes da criação do sistema de arquivo e da gestão integrada de
informações, será feito o inventário das séries e tipos documentais, que
identificará e classificará todos os tipos documentais existentes em todas as
áreas da empresa. Isso permitirá avaliação, seleção, armazenamento ou
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descarte das informações, dos mais diversos suportes, disponíveis para os
gestores e administradores.
A gestão informacional integrada, através do sistema de arquivo
eficiente, viabiliza agilidade no resgate das informações e ainda minimiza
custos de armazenamento de informações inúteis, reduzindo os graus de
incerteza para o processo decisório, em todos os níveis da empresa,
principalmente no estratégico.
A qualificação das informações evitará redundância de dados,
preservando e agilizando o fluxo das informações necessárias para o sucesso
das ações empresarias, garantindo assim a manutenção, sustentabilidade e
expansão dos negócios neste mercado cada vez mais veloz, exigente,
competitivo e globalizado.
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